A vida de Amaro Monteiro

África, o Islão e a Monarquia são temas recorrentes das suas obras. Para perceber o porquê, há que conhecer melhor a vida de Fernando de Albuquerque e Castro Amaro Monteiro, investigador, escritor e Professor aposentado do Ensino Superior Particular e Cooperativo, doutorado em Ciências Sociais (Relações Internacionais) pelo ISCSP da Universidade Técnica de Lisboa em 1992.

Católico e monárquico convicto, Amaro Monteiro foi investido como Cavaleiro de Graça Magistral da Ordem Soberana Militar de Malta (Santa Sé)e condecorado com o grau de Grande Oficial da Real Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa (da Casa Real Portuguesa).

É Sócio Combatente da Liga dos Combatentes.


Biografia do Professor Amaro Monteiro

África está-lhe no sangue. Nasceu em Junho de 1935 e viveu em Luanda até aos 20 anos, altura em que ingressou na Faculdade de Letras de Lisboa para se licenciar em Ciências Históricas e Filosóficas, depois de ter sido dispensado do exame de admissão.

Em paralelo com o curso, que terminou em 1962, foi oficial miliciano do Exército nos Açores e em Lisboa, estagiário de jornalismo no “Diário Ilustrado” (Lisboa) e professor do Ensino Liceal Particular no Colégio Nun´Álvares em Tomar.


A Causa da Monarquia

Foi também por esta altura que se tornou militante muito activo da Causa da Monarquia, o que o levou a participar como Alferes no frustrado movimento de 11 / 12 de Março de 1959 que tinha como objectivo derrubar Salazar, estabelecer a democracia, descentralizar a administração do Ultramar e, a médio prazo, conduzir à restauração da Monarquia.

Marcado por esta participação, foi impedido de servir no Ultramar como Tenente miliciano, quando o terrorismo eclodiu em África, e a experiência profissional de Fernando Amaro Monteiro acabou por seguir um rumo diferente do que poderia ter sido.

Mas África não iria tardar!


O regresso a África

A experiência profissional de Fernando Amaro Monteiro no sector público

Década de 60

Em 1962 chega a Moçambique na qualidade de Professor do Ensino Técnico do Ultramar, colocado em Lourenço Marques.

Entre 1965 e 1970 ocupa o cargo de Adjunto dos Serviços de Centralização e Coordenação de Informações, órgão de subordinação directa ao Governador Geral e ao Comandante Chefe, exercendo as funções de chefe do Gabinete de Estudos. Os SCCIM tinham interesse vital para a guerra então em curso.

O desempenho destas funções levou-o a França, onde esteve entre 1967 e 1968, como bolseiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês e em comissão de serviço do Ministério do Ultramar, para estudos sobre o Islão na Faculdade de Letras de Aix-en-Provence, onde obteve o “Doctorat d’Université” (grau então sem equivalência em Portugal).

Década de 70

Em 1970 é nomeado Investigador dos Cursos de Letras da Universidade de Lourenço Marques, tendo-se, no entanto, comprometido a apoiar secretamente os Governadores Gerais na Acção Psicológica sobre as comunidades muçulmanas do território, levando a cabo numerosas missões de estudo e de negociações junto das populações muçulmanas em Moçambique.

O seu desempenho valeu-lhe um Louvor pelo Governador Geral de Moçambique em Portaria publicada no “Boletim Oficial nº 64, IIª Série, de 12 de Agosto de 1970.

Em 1972 parte para a Guiné para auscultação dos dirigentes islâmicos por ordem do Ministro do Ultramar.

Em Fevereiro de 1974 é nomeado Director dos Serviços do Centro de Informação e Turismo de Moçambique. Em Maio de 1974, na sequência do "25 de Abril", pede a exoneração do cargo, com transferência para Angola. Em Dezembro do mesmo ano, obteve a “licença graciosa” em Portugal, que utilizou até entrar no Quadro Geral de Adidos em 1975.

Experiência profissional de Fernando Amaro Monteiro no sector privado em África

Entre 1963 e 1965 foi Locutor e Produtor da “Estação C” do Rádio Clube de Moçambique e desempenhou gratuitamente as funções de Adjunto do Comando das Formações Aéreas Voluntárias. Além disso, foi também Professor do Instituto de Educação e Serviço Social (equiparado a estabelecimento de Ensino Superior). Entre 1969 e 1970 foi Subdirector do matutino “Notícias” e, de 1970 a Fevereiro de 1974, Director do vespertino “Tribuna”.


De volta à Metrópole

Com a "Revolução de Abril", retorna a Lisboa, trazendo na alma o calor de África.

A experiência profissional de Fernando Amaro Monteiro no sector público

Depois de ter ingressado em Lisboa no Quadro Geral de Adidos, concorreu ao Instituto de Alta Cultura e, logo em 1975, foi nomeado Leitor de Português e Professor de Cultura Portuguesa em França, na Universidade de Toulouse le-Mirail.

No final do ano lectivo de 1975/1976 regressou a Portugal, entrando em regime de destacamento na Divisão de Informações do Estado Maior General das Forças Armadas, onde, até 1979, foi o único civil a chefiar uma importante secção de análise, na categoria de Técnico Superior Principal. O desempenho destas funções granjeou-lhe um Louvor pelo General Adjunto para o Departamento de Informações Militares, em Ordem de Serviço nº 7, de 15 de Fevereiro de 1980, ao EMGFA.

Em 1979 integrou o Gabinete do Secretário de Estado da Ciência, que o louvaria em “Diário da República” nº 41, IIª Série, de 18 de Fevereiro de 1980.

Década de 80

Em 1980 é integrado na Função Pública no momento em que passa a prestar serviço como Técnico Superior Principal da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT), sendo promovido pouco depois a Assessor, atingindo assim o topo da carreira técnica superior. É nomeado, em comissão, Secretário da JNICT, equiparado a Director de Serviços.

De seguida, transita para o quadro da Biblioteca Nacional, mantendo-se em comissão como Secretário da JNICT até 1982.

De 1982 a 1987, não obstante manter o vínculo de Assessor da Biblioteca Nacional, desempenhou as funções de Chefe do Gabinete do Ministro da Educação, Director dos Serviços de Educação e Cultura de Macau, Subdirector Geral da Integração Administrativa, e Assessor para as Relações Exteriores do Instituto de Investigação Científica Tropical.

Em 1987 requereu a aposentação da Função Pública, ao abrigo da Lei Orçamental de 1986.

A experiência profissional de Fernando Amaro Monteiro no sector privado

A década de 1970

De 1976 a 1979 foi um dos fundadores da Universidade Livre e Director-Vogal da respectiva Cooperativa encarregue da ligação com o Conselho Pedagógico e Científico da Universidade.

Foi igualmente Vogal do Conselho Fiscal da Fundação D. Manuel II, por designação de S.A.R. o Duque de Bragança.

A década de 1980

No início desta década, desempenhou os cargos de Professor Auxiliar de “Estudos Islâmicos” na Universidade Livre, Regente de dois Cursos Livres sobre a “Perspectiva do Islão no Mundo Contemporâneo” na Universidade Internacional e, na mesma Universidade, Regente de um Curso sobre a “Perspectiva do Homem Muçulmano”.

De 1987 a 1992 foi Investigador Convidado do Centro de Estudos Africanos na Universidade Portucalense Infante Dom Henrique.

Aí, assessorou o Prof. Doutor Joaquim da Silva Cunha (ex-Ministro do Ultramar e ex-Ministro da Defesa do antigo regime) na direcção da revista “Africana” até 2000.

Em 1989, obteve a equivalência do “Doctorat d´Université” francês ao grau de Mestre em Estudos Africanos pela Universidade Técnica de Lisboa, ficando assim em condições de poder candidatar-se ao Doutoramento em Portugal.

A década de 1990

De 1990/1991 a 1993/1994 foi Professor de “Estudos Islâmicos” (opção anual do 3º ano da Licenciatura em História na Universidade Portucalense, sob direcção do Prof. Doutor Humberto Baquero Moreno).

Na mesma Universidade, foi Professor de “Teoria das Organizações Internacionais” no Mestrado em Relações Internacionais (dirigido pelo Prof. Doutor Joaquim da Silva Cunha), entre 1990/1991 e 1999/2000.

Em 9 de Junho de 1992, no ISCSP da Universidade Técnica de Lisboa, doutorou-se com “Distinção", por Unanimidade, em Relações Internacionais, com a tese “O Islão, o Poder e a Guerra (Moçambique 1964-1974)”.

Entre 1992 e 2000, na Universidade Portucalense foi Coordenador de Investigação no Centro de Estudos Africanos e Orientais, e equiparado a Professor Catedrático no Mestrado em Relações Internacionais.

De 1987/1988 a 1999/2000, no âmbito do Centro de Estudos Africanos e Orientais fomentou a realização de 14 Cursos de Extensão Universitária, tendo sido único prelector em 10 deles. De salientar que dois destes cursos tiveram lugar em Cabo Verde. No total, foram frequentados por mais de 300 auditores.

Entre 1992/1993 e 1998/1999, leccionou no Instituto Superior de Novas Profissões (Lisboa) Seminários de “Organizações Internacionais”, bem como as cadeiras de “Cultura Comparada” e de “História das Religiões”. No ano 1994/1995 regeu como Professor equiparado a Catedrático, na Universidade Lusíada (Lisboa e Porto), “O Mundo Islâmico nas Relações Internacionais”, cadeira do 3º ano da Licenciatura em Relações Internacionais.

A aposentadoria do Ensino Superior Particular chegou em 2000, aos 65 anos de idade e com 14 de serviço no Ensino em referência.

Contudo, a biografia do Professor Amaro Monteiro não termina aqui, já que se manteve na vida activa como investigador, contista e conferencista.

Entre 1978 e 2014, o Professor Amaro Monteiro, na qualidade de conferencista, teve mais de 90 intervenções sobre temas de Relações Internacionais e História em Universidades públicas e privadas, em Institutos Superiores Militares, em extensões NATO, no Instituto da Defesa Nacional, etc. Foi igualmente Orientador e Arguente de bastantes dissertações de Doutoramento e Mestrado, bem como Vogal de uma série de Júris.


LIVROS PUBLICADOS

O livros publicados espelham o percurso de vida de Amaro Monteiro e reflectem todo o seu conhecimento científico sobre as áreas abordadas.

- O Coronel Sardónia. Seis perfis de gente desencontrada e mais a sombra de um menino (colectânea de contos), ed. do autor, Lourenço Marques, 1970. Excertado em várias antologias.

- Selecção de hadiths (El-Bokhari) . Tradições muçulmanas. Versão portuguesa baseada na tradução francesa de G.H. Bousquet, com uma introdução por Fernando Amaro Monteiro, Investigador da Universidade de Lourenço Marques, Universidade de Lourenço Marques, 1971

- Da Identidade na Evolução I (compilação de 12 editoriais publicados no matutino “Notícias“ e no vespertino “Tribuna“), ed. do autor, Lourenço Marques, 1971

- Tradições muçulmanas (El-Bokhari) . Versão portuguesa resumida. Edição popular promovida pelo Governo-Geral de Moçambique, Lourenço Marques, 1972 (adaptação do trabalho universitário, atrás referido, ao propósito de difusão do Português entre as populações islamizadas do território, no âmbito de um plano de Acção Psicológica do Governo Geral de Moçambique)

- Da Identidade na Evolução II (compilação de 11 editoriais publicados no vespertino “Tribuna”) , ed. do autor, Lourenço Marques, 1973

- Carta Aberta aos Muçulmanos de Moçambique Independente, Caderno Político nº 5, Biblioteca do Pensamento Político, Lisboa, 1975

- Um certo gosto a tamarindo. Estórias de Angola (colectânea de contos), Braga Editora, 1979. Tema de uma tese de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa. Segunda edição pela Estampa, Lisboa, 2011. Extractado em várias antologias e pelo Ministério da Cultura de Angola na Antologia do Conto Angolano, 2012.

- Portas fechadas . Balada para um Capitão executado (excertos de um diário), Ed. S. Lemos, Porto, 1988

- A guerra em Moçambique e na Guiné: técnicas de accionamento de massas. Curso de 6 lições. Sumários desenvolvidos, publicação interna, Centro de Estudos Africanos da Universidade Portucalense, Porto, 1989

- O Islão, o Poder e a Guerra (Moçambique 1964-1974) , Universidade Portucalense, Porto, 1993

- “ Violência estrutural ” (?). O Grande Magrebe e a Europa Ocidental , coordenação das dissertações de Mestrado em Relações Internacionais de António da Silva Rocha, Mariana Sampayo e Paulo Lisboa, Edições Magno, Leiria, 2002

- Sobre o Islão. “O Livro Verde” de Kadhafi. Introdução e Anotações de Fernando Amaro Monteiro, Editora Prefácio, Lisboa, 2003

- A Guiné do século XVII ao século XIX. O testemunho dos manuscritos, com Teresa Vázquez Rocha, Editora Prefácio, Lisboa, 2004

- Salazar e a Rainha. Advento da República. Restauração da Monarquia? , Editora Prefácio, Lisboa, 2006

- Salazar e o Rei (que não foi) , com Preâmbulo do Duque de Bragança, Editora Livros do Brasil, Lisboa, 2009

- Moçambique: Memória Falada do Islão e da Guerra, com AbdoolKarim Vakil (do King´s College) e Mário Artur Machaqueiro (da Universidade Nova), Editora Almedina, Coimbra, 2011

- D. Manuel II e D. Amélia. Cartas Inéditas do Exílio, Editora Estampa, Lisboa, 2012

- Eu Vivi A Queda Do Império, com Prefácio por Ricardo de Saavedra, Editora Letras Itinerantes, Loures, 2014

- Foi assim que aconteceu…, com Prefácio por Sara Ibérico Nogueira PhD, Editora Apolo 70, Lisboa, 2016

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